Artigo · 2026
RELAÇÃO COM SABER MATEMÁTICO NA FORMAÇÃO INICIAL DE PEDAGOGOS: ARQUEOLOGIA DO TRAUMA, ETNOMATEMÁTICA RECONSTRUÇÃO DA PRÁXIS
Referência (ABNT NBR 6023)
SILVA JUNIOR, George Ramos et al. RELAÇÃO COM SABER MATEMÁTICO NA FORMAÇÃO INICIAL DE PEDAGOGOS: ARQUEOLOGIA DO TRAUMA, ETNOMATEMÁTICA RECONSTRUÇÃO DA PRÁXIS. Revista Multidisciplinar do Nordeste Mineiro, 2026. DOI: https://doi.org/10.66104/70mdpj52.
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Resumo
O presente artigo investiga as memórias escolares e os processos de subjetivação associados ao aprendizado da Matemática em acadêmicos do curso de Pedagogia da Faculdade de Educação Memorial Adelaide Franco (FEMAF), analisando o impacto dessas vivências na constituição de suas identidades docentes. O aporte metodológico ancora-se na Análise de Conteúdo de Laurence Bardin, mobilizada sobre um corpus composto por narrativas dissertativas autobiográficas e reflexivas escritas à mão por discentes do segundo período da graduação. Epistemologicamente, os dados são tensionados à luz da teoria da Relação com o Saber de Bernard Charlot e da perspectiva sociocultural da Etnomatemática de Ubiratan D'Ambrosio, dialogando ainda com os saberes docentes postulados por Maurice Tardif. Os resultados, emoldurados por um percurso metodológico sistemático e replicável, revelam uma arqueologia do trauma marcada por uma severa violência pedagógica institucionalizada pela escola tradicional - incluindo relatos de punições físicas via palmatória e coerção moral -, que consolidou o fenômeno da matofobia e clivagens profundas na autoeficácia cognitiva dos sujeitos. Constatou-se, simultaneamente, uma crítica contundente ao reducionismo mecanicista e abstrato que apartou o conhecimento das práticas vividas. Contudo, o estudo descortina um movimento dialético de catarse e práxis reconstrutiva, no qual os futuros pedagogos projetam uma docência humanizada nos anos iniciais, elegendo a ludicidade, a modelagem concreta e a ressignificação do erro como eixos de superação pedagógica. Conclui-se que a formação inicial em Pedagogia deve atuar como um espaço de reconstrução identitária e afetiva, permitindo que a dor biográfica seja transmutada em empatia didática voltada à inclusão cognitiva.
Autoria
- George Ramos da Silva Junior
- Adriano Faustino de Sousa
- Vladimir Bezerra de Oliveira · ORCID
- Maria Rosilene de Sena
- Dhone Pereira de Sousa
- Suanny Bruno Nolêto
- Daniel Cleberson da Conceição Rocha
- Josiel de Sousa Costa
- Evanildo Borges da Silva · ORCID
- Filipe de Sousa Santos
- Nardiany Pereira Soares