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Produção científica · registro 35
Acesso administrativo

Artigo · 2026

O OBJETO ETNOMATEMÁTICO COMO REAL ESTRATIFICADO: UMA FUNDAMENTAÇÃO REALISTA-CRÍTICA PARA O RECONHECIMENTO DOS SABERES QUILOMBOLAS

Confirmada instituição maranhense acesso aberto EtnomatemáticaEducação MatemáticaSaberes e povos tradicionais

Referência (ABNT NBR 6023)

CASTRO, Raimundo Santos et al. O OBJETO ETNOMATEMÁTICO COMO REAL ESTRATIFICADO: UMA FUNDAMENTAÇÃO REALISTA-CRÍTICA PARA O RECONHECIMENTO DOS SABERES QUILOMBOLAS. Revista Tópicos., 2026. DOI: https://doi.org/10.70773/revistatopicos/790654736.

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Resumo

Este artigo propõe uma fundamentação ontológica e epistemológica para a noção de objeto etnomatemático, articulando a etnomatemática de Ubiratan D’Ambrosio ao realismo crítico de Roy Bhaskar e ao pensamento decolonial latino-americano. Sustenta-se que o objeto etnomatemático não é entidade abstrata separada das práticas humanas nem invenção arbitrária, mas produto histórica, cultural e materialmente situado, inscrito numa trama que articula prática, procedimento, representação, conceito, linguagem, artefato e conhecimento socialmente partilhado. A partir da distinção entre as dimensões transitiva e intransitiva do conhecimento e da estratificação do real nos domínios do real, do atual e do empírico, argumenta-se que os saberes matemáticos de comunidades quilombolas referem-se a aspectos reais de uma realidade estratificada sem que a matemática escolar detenha o monopólio dessa referência. A recusa da falácia epistêmica o erro de reduzir questões sobre o ser a questões sobre o conhecer mostra-se condição para o reconhecimento desses saberes independentemente de sua chancela acadêmica. Distinguindo relatividade epistêmica de relativismo judicativo, o texto defende uma objetividade situada, falível e criticamente revisável, ancorada na racionalidade judicativa e em critérios de adequação referidos aos problemas concretos que cada saber resolve. Conclui-se identificando quatro riscos que a pesquisa deve evitar a hierarquização colonial, a folclorização, a assimilação curricular e o relativismo e convertendo o arcabouço filosófico em categorias analíticas operacionais.

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