Artigo · 2024
Etnomatemática e decolonialidade: para além da epistemologia eurocêntrica
Referência (ABNT NBR 6023)
CASTRO, Raimundo Santos. Etnomatemática e decolonialidade: para além da epistemologia eurocêntrica. Caderno Pedagógico, 2024. DOI: https://doi.org/10.54033/cadpedv21n9-265.
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Resumo
Este estudo examina a convergência entre Etnomatemática e Decolonialidade, destacando como essas duas epistemologias se complementam na crítica às estruturas de poder que sustentam a hegemonia do conhecimento eurocêntrico. A Etnomatemática, elaborada por Ubiratan D’Ambrósio, questiona a concepção tradicional da matemática como uma ciência universal e neutra, propondo uma perspectiva que reconhece e valoriza os conhecimentos matemáticos desenvolvidos por diferentes culturas ao longo da história. Essa abordagem rompe com a ideia de que a matemática é exclusivamente um produto da civilização ocidental e insere a prática matemática em contextos sociais e culturais variados. Por sua vez, a decolonialidade, discutida por pensadores como Aníbal Quijano e Walter Mignolo, critica a colonialidade do saber, que impôs a supremacia do conhecimento ocidental como universal. A decolonialidade visa a abertura de espaços para epistemologias alternativas, especialmente as que emergem de povos historicamente marginalizados e subjugados pelo colonialismo. A articulação entre Etnomatemática e Decolonialidade oferece uma via promissora para a construção de um conhecimento mais inclusivo, pluralista e democrático. No campo educacional, essa integração promove a valorização da diversidade cultural e epistemológica, permitindo que o ensino da matemática, por exemplo, seja repensado de forma a incluir saberes não-hegemônicos. Ao fazer isso, essas abordagens contribuem para a formação de um espaço pedagógico que respeita as múltiplas formas de conhecimento e desafia as imposições coloniais no campo acadêmico.